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Segundo EBC, desafio no noroeste de MT é manter a floresta em pé

Assessoria com informações da EBC

Juruena, MT, Brasil: Antônio Bento de Oliveira caminha em busca de castanheiras por área da reserva legal comunitária do assentamento Vale do Amanhecer. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Juruena, MT, Brasil: Antônio Bento de Oliveira caminha em busca de castanheiras por área da reserva legal comunitária do assentamento Vale do Amanhecer. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A empresa Brasileira de Comunicação publicou na última semana, um conjunto de reportagens especiais que apresentam a região noroeste de Mato Grosso como o abrigo do último maciço de floresta no estado. A matéria destaca a forte pressão para exploração madeireira, ocupação de novas áreas para a produção agropecuária, as ações  e moradores que estão na contramão do desmatamento nesta região.

Dentre essas populações e ações, estão os assentados do Vale do Amanhecer, que tem 140 km² de área, onde vivem 250 famílias e está localizado no município de Juruena.

O Vale do Amanhecer foi implantado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em 1999, e tornou-se modelo e referência por conseguir aliar conservação ambiental e geração de renda, com aumento da qualidade de vida das famílias assentadas. Segundo a reportagem, os assentados não lucram com a madeira e as famílias vivem dos produtos florestais não madeireiros, como a Castanha do Brasil. Segu-

Juruena, MT, Brasil: Seleção das castanhas colhidas na reserva legal comunitária do assentamento é feita na fábrica de beneficiamento da Cooperativa do Vale do Amanhecer. Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Juruena, MT, Brasil: Seleção das castanhas colhidas na reserva legal comunitária do assentamento é feita na fábrica de beneficiamento da Cooperativa do Vale do Amanhecer. Marcelo Camargo/Agência Brasil)

ndo Paulo Nunes, do projeto Sentinelas da Floresta, a castanha é abundante e ainda há outras possibilidades, como a copaíba, o jutaí, jatobá e cumaru. Outra informação importante é que da extração desses produtos da natureza, nem 20% do potencial dos recursos são explorados, o que possibilita que as plantas nativas continuem crescendo de forma equilibrada.

 

A opinião dos moradores do Assentamento é unânime quanto a extração da castanha: Se não fosse essa organização em torno da castanha, ninguém estaria mais ali. Embora a vida do extrativista não seja fácil, o trabalho compensa pela geração de renda e pela manutenção da floresta. Para trabalhar com sua matéria prima, os extrativistas devem andar na mata fechada, sempre atentos a animais como as cobras, além de ter precaução para não ser atingido por ouriços que caem da castanheira e podem matar. Isso por que as árvores pode chegar a 50 metros.

Os ouriços são coletados do chão, e com o uso de um facão grande quebram e retiram as castanhas, protegida por outra casca. Depois precisam carregar as castanhas in natura, pois não há como entrar com veículos na Floresta.  Os castanhais não têm donos e só os assentados podem coletar os ouriços das árvores que estão na região do Vale do Amanhecer.

Economia da Castanha

A produção dos assentados e também de indígenas Apiaká, Caiaby, Munduruku e

Juruena, MT, Brasil: Trabalhador da Cooperativa do Vale do Amanhecer costura sacos que armazenam as castanhas colhidas na reserva legal comunitária do assentamento. Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Juruena, MT, Brasil: Trabalhador da Cooperativa do Vale do Amanhecer costura sacos que armazenam as castanhas colhidas na reserva legal comunitária do assentamento. Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Cinta Larga, é comprada pela Cooperativa dos Agricultores do Vale do Amanhecer (Coopavam), criada pelos assentados em meados de 2008 para beneficiar e comercializar o produto.  Hoje a Coopavam tem 67 sócios registrados e compra castanha de cerca de 1,5 mil famílias de extrativistas que deixaram de vender o produto a preço baixo para atravessadores.

 

A Coopavam vende parte da produção para a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) que doa os alimentos para merenda escolar, redes de atendimento socioassistencial, restaurantes populares e cozinhas comunitárias. Essa castanha é usada para alimentar 42 mil pessoas em situação de risco de insegurança alimentar e nutricional em oito municípios do noroeste do estado. Além disso, o Projeto Sentinelas da Floresta, é financiado pelo Fundo Amazônia, e a cooperativa negocia com grandes empresas, entre elas, Jasmine, Mãe Terra e Natura. Além da venda in natura, o grupo também já trabalha com derivados, que são produzidos a partir da castanha.

Conheça a matéria da EBC: http://www.ebc.com.br/especiais/amazonia-ameacada

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